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Quem disse que só os homens entendem de moto? Elas vieram ao mundo para dizer que pilotam muito bem, obrigada!

Hoje é sexta-feira, dia de bebemorar! Não somente, como também! Hoje é sexta-feira, dia de artigo novo e, ao som de O Bando do Velho Jack, vou compartilhar uma paixão: MOTOCICLETAS! Não é novidade, para quem me conhece, que sou loucamente apaixonada por motos custom, ou seja, aquelas que são “customizadas” para ficarem com a cara do dono. Existem alguns tipos, como Bobbers (modelos low rider sem para-lamas), Choppers (modelos transformados com diversas características marcantes como: quadro modificado e quase sempre alongados, roda traseira bastante larga, diversas cores, garfos alongados, tanque de combustível pequeno e em muitas vezes sem freio dianteiro), Café Racer (este estilo surgiu na década de 1950 na Europa e foram projetados para serem rápidos e atingirem cerca de 100 milhas ou 160 km/h), entre outros. Maaas, ainda não é aí que quero chegar – compartilhar minha paixão por motocicletas me faz entrar no ponto principal do artigo: MULHERES MOTOCICLISTAS. Sério: existe coisa mais linda?

O pelotão feminino avança e conquista cada vez mais território. Se antes eram figuras raras sobre duas rodas no trânsito dos grandes centros urbanos, hoje é comum encontrar-se com elas nos cruzamentos. Mesmo considerando que hoje questões econômicas e agilidade no trânsito sejam boas razões para que as mulheres adquiram sua primeira moto, o amor pelas duas rodas ainda é o principal motivo para que isso aconteça. Atualmente, de cada quatro motos vendidas, uma é levada por mãos femininas.

E, como no mundo masculino, elas também tomam a frente de muitos moto-grupos espalhados pelo Brasil e pelo mundo! A paixão por duas rodas e o espírito de liberdade que une tribos nos mais variados lugares desse mundão de meu Deus, exala quando chegamos perto dessas mulheres fortes e independentes. Sim, porque elas são vistas exatamente dessa maneira: mulher que anda de moto é “mais macho que muito macho”! E eu não falo de sexualidade não – eu falo de atitude, de respeito, de independência, de amor mesmo.

Não conhece nenhum moto-grupo ou moto clube feminino? Eu te apresento alguns. Devemos começar pelo primogênito no meio motociclístico, certo? Pois bem, segundo a AMA (American Motorcyclist Association Club), o moto clube mais antigo registrado com carta patente, foi fundado por duas mulheres que viviam a frente de seu tempo. Em 1940, Dot Robinson, que era uma piloto de motocicleta famosa, quebrava recordes e foi a primeira mulher a vencer uma competição nacional, juntou-se com inglesa Linda Dugeau para fundar uma organização de mulheres motociclistas. Dot saiu rodando pelos Estados Unidos, encontrou 51 senhoras e então o Motor Maids da America Inc foi fundado. Desde sua fundação, o clube de mulheres traz como lema a elegância. Dot pregava que uma mulher, mesmo sendo motociclista, tinha que ter classe e estar sempre arrumada, como uma dama de fino trato – e o lema é levado a sério até hoje pelas 1.200 integrantes do Motor Maids que estão espalhadas pelos EUA.

 

Dot Robinson, fundadora do Motor Maids

 

Além dessas divas e já em território nacional, temos as meninas do Biker Girls MC, que são do Rio de Janeiro, as lindas do Medusas MC, que são de Curitiba, as moças do Guerreiras MC, também do Paraná, e por aí vai! Mas confesso que tenho uma preferência, por conhecer de perto essas mulheres ma-ra-vi-lho-sas, que me dão o orgulho de poder chama-las de amigas – Ressurgentes MG. Elas não fogem em nenhum momento de todo e qualquer elogio que eu tenha feito ao longo desse texto. Toda a simplicidade com que englobam o mundo das motos e todo o amor com tratam o assunto é contagiante. Isso é ver AMOR, entendem?

Para finalizar o artigo com chave de ouro, já que falamos tão lindamente de como o sentimento de uma mulher motociclista é singular, deixo o registro da Lívia Lander, Presidente e Fundadora do Ressurgentes MG, sobre a história de criação do moto grupo.

 

“No ano de 2013 adquiri minha primeira moto, GV 250, e junto com ela fui conhecendo o verdadeiro sentido do motociclismo. Conheci então o Rafael Correa, fundador e atual Presidente do SOLO MC, nossas ideias e ideais se encaixaram e eu me apaixonei mais pelo motociclismo e por aquele Moto Clube.

Viajei de Goiânia a Curitiba para receber o colete, e a partir daquele instante eu soube que deveria honrar meus irmãos, o motociclismo e o meu brasão. Trouxe o SOLO MC pra Goiânia e defendi minha bandeira com determinação até o último instante.

No começo de 2015 infelizmente o Presidente Rafael Correa, que eu encho o peito de orgulho para dizer que é o meu irmão, veio a óbito fazendo assim  com que o clube se dividisse e as facções se extinguirem.

Eu prometi a ele que continuaria o nosso sonho, mas como SOLO era inviável e foi a partir dessa promessa que eu fundei o RESSURGENTES MG.

A fênix azul tem um sentido espiritual, sua estória nos mostra que devemos ser fortes para enfrentarmos as adversidades da vida com a alma limpa e a única maneira de limparmos a alma é chorando. Pelas nossas lágrimas que nosso corpo revela que estamos sendo lavados por dentro, e todo sentimento ruim e de sabotagem está indo embora naquele momento, pois sempre que choramos renascemos mais fortes de alguma maneira.

Passamos por esse período de luto e voltamos como RESSURGENTES pelo amor ao nosso eterno Presidente e por amor ao motociclismo.

 

‘Se o grão de trigo não morrer, ele fica só

Mas se morrer, produzirá fruto abundante'”

 

Nota: Longe de propaganda, puxação de saco ou qualquer baba ovo que possa parecer, tenho somente a agradecer à essas meninas que tanto me suportam todos os dias e tanto me ajudaram na construção deste artigo, em especial a Yara Nogueira  e a Lívia Lander, por todo amor e carinho.

Estela Fiorin
Estela Fiorin
Louca das tatuagens, absolutamente canceriana, exacerbada por paixão, aventureira, ridiculamente risonha. Aficionada por livros, músicas e filmes. Mãe da Anna Júlia e escritora principiante.
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